Meio quilômetro quadrado

A Altstadt vai da Heinrich-Heine-Allee até o Reno, com a Burgplatz e a Schlossturm numa esquina e a St. Lambertus atrás. De dia é comércio; depois das seis é bebida; no verão é as duas coisas ao mesmo tempo, quando as mesas se espalham pela Rheinuferpromenade e as ruas atrás da igreja enchem. O bairro inteiro é de pedestres, e o Reno está a três minutos em qualquer direção.

Chegar é fácil. A estação central fica a duas paradas de U-Bahn de Heinrich-Heine-Allee, e dali a cidade velha começa do outro lado da rua. A Königsallee, a avenida larga de compras com água no meio, faz limite ao sul; o MedienHafen, com os prédios de Gehry, fica vinte minutos adiante, junto ao rio. Toda linha de U-Bahn para o centro para em Heinrich-Heine-Allee, então a rota não exige planejamento.

Seis cervejarias próprias ainda produzem na cidade: Schumacher, Uerige, Füchschen, Schlüssel, Kürzer e Belsen. Cinco ficam a poucos minutos umas das outras na Altstadt, o que permite um roteiro sem plano, mapa ou táxi. Essa concentração é o que faz do lugar um destino cervejeiro. Um roteiro pelas cinco é uma tarde longa, não uma noite, e a ordem importa menos que o ritmo.

Como funciona a Altbier

A Alt fermenta em alta temperatura e depois é guardada no frio. O nome quer dizer velha, no sentido do modo antigo de fabricar, em oposição às lagers claras que chegaram da Baviera e da Boêmia no século XIX. A cor vai do cobre ao marrom, o amargor é firme, e o teor costuma ficar em torno de 4,7%. Düsseldorf produz desde pelo menos 873, quando o arcebispo de Colônia concedeu o direito ao mosteiro de Gerresheim. Ela não viaja bem, e por isso quase toda é bebida dentro da própria região.

Chega num copo pequeno, geralmente 0,2 litro. O Köbes — o garçom, nome que vem dos muitos Jakobs que faziam o serviço — carrega uma bandeja deles e faz um risco no seu descanso a cada copo. Quando um copo esvazia, outro aparece sem pedido. Para parar o abastecimento, ponha o descanso sobre o copo. Os copos são finos e pequenos o bastante para acabar antes de a cerveja esquentar, e é esse o argumento do tamanho.

Não é um sistema para conversa longa com um copo cheio. É um sistema para cerveja gelada: doses pequenas, tiradas na hora, trocadas com frequência. No carnaval a Altstadt inteira funciona assim, e na Rosenmontag a Uerige fecha em vez de lidar com as consequências. No resto do ano o ritmo é mais calmo, mas o mecanismo é o mesmo. Fora do carnaval, o mecanismo funciona desde o almoço, e os habitués da tarde são mais tranquilos que os da noite.

Além da milha da Altbier

A Altstadt não é só cervejaria. A Bolkerstraße é a rua mais barulhenta, a Berger Straße é a da Uerige, e as vielas atrás da St. Lambertus são mais quietas. O Rathaus e a estátua de Jan Wellem merecem uma olhada entre um bar e outro, e a orla do Reno é onde todo mundo acaba, com a margem de Oberkassel do outro lado e as luzes da ponte acendendo. A orla tem degraus, e numa noite clara a outra margem parece mais perto do que é.

A comida das cervejarias é cozinha renana. Halve Hahn é um pão de centeio com queijo, mostarda e cebola — nada de frango, apesar do nome. Himmel un Ääd é morcela com maçã e purê de batata. O Sauerbraten vem com molho de passas. É comida simples, feita para acompanhar cerveja, e faz o serviço sem pedir atenção. As porções são grandes e os menus curtos, arranjo correto para comida desse tipo.

De meados de novembro a 30 de dezembro, a feira de Natal se espalha pelo centro, com uma roda-gigante na Burgplatz e barracas na Flinger Straße. No resto do ano a cidade vive de feiras de negócios: quando há uma grande, os hotéis acabam primeiro e a Altstadt enche cedo. Reserve antes de decidir vir. Os preços dos hotéis seguem o calendário de feiras, então um fim de semana barato geralmente significa que não há evento.