Uma cervejaria contra o vinho

Até o século XVII, a corte do príncipe-prior comprava a cerveja em Kaltenhausen, perto de Salzburgo, porque não havia cervejaria no vale. Uma investigação em 1614 constatou que a população bebia sobretudo vinho importado, caro e que levava o dinheiro para fora. Cerveja feita em casa era a resposta mais barata e mais patriótica. Para um território pequeno, era uma declaração: o príncipe-prior comprava independência da cerveja de Salzburgo.

Em 1645, o príncipe-prior Ferdinand da Baviera adquiriu a Preustat zu Pfister, abaixo do castelo real, e construiu ali o Hofbräuhaus. A cervejaria é documentada desde 1610, então já havia uma casa de brassagem no local; Ferdinand acrescentou a cervejaria da corte, com o direito de abastecer o território. O Hof do nome vem daí. O lugar não mudou desde então; só os prédios são mais novos.

A produção na época era de cerca de 7 mil hectolitros por ano, o que, para um vale de alguns milhares de pessoas, era indústria séria. Com a propriedade, a cervejaria comprou também duas casas de cerveja, uma delas o Bier Adam, na Marktplatz, que continua servindo. É assim que uma cervejaria funciona num lugar pequeno: ela é dona das torneiras. O Bier Adam é mais antigo que a cervejaria que o comprou: aparece numa escritura de compra de 1546.

Privada desde 1808

O território do príncipe-prior foi secularizado em 1803, e a cervejaria passou para a Áustria em 1805. Em 1808 foi leiloada. O comprador foi Anton Wurm, comerciante de lúpulo, e a cervejaria ficou com a família dele até 1833. Depois vieram Haller e Wannerstorfer, e os Wannerstorfer a mantiveram, entre mudanças de nome, até 1970. A cervejaria é privada desde então, o que é incomum para uma casa com Hof no nome.

Rudolf Kriß senior reconstruiu a cervejaria e o Bräustüberl em 1906 e 1907, e os prédios sobreviveram quase intactos; 1910 é dado como o ano de fundação do pub como ele é hoje. A Thurn und Taxis comprou o negócio em 1970, a Spaten-Löwenbräu o teve de 1989 a 2008, e desde então pertence à Sedlmayr Grund und Immobilien e ao diretor-gerente. Os Wannerstorfer já a administravam havia mais de 130 anos, e a venda encerrou isso.

Nada disso aparece no copo, e é justamente esse o sentido de uma cervejaria de vale. Ela ficou pequena o bastante para pertencer ao lugar, continuou comprando malte e lúpulo como uma casa do seu tamanho, e manteve a mesma cerveja nos mesmos bares. Quase toda Wirtshaus e Alm das cinco comunas a serve, e há uma canção popular exatamente sobre isso. O raio de entrega é o vale e um pouco além, e por isso a cerveja sabe mais fresca aqui do que numa cidade.

A cerveja e a sala

O centro é Helles e Dunkel, com um Pils, um Festbier no outono e um Böckei, bock de Natal, no Advento. Há um Königsseer Helles para o lado do lago, um Radler e um Pfiff. Julgue a cervejaria pelo Helles: claro, amargor suave, feito para beber em quantidade depois de uma caminhada. O Helles é o que se vê em todas as mesas do vale.

O Bräustüberl ao lado, na Bräuhausstraße 13, é a sala que pertence à cerveja. Walter Bankhammer assumiu em 2002 e fecha em 3 de janeiro de 2027, o que vale saber antes de planejar uma noite em torno dele. Até lá, é o melhor lugar da cidade para beber essa cerveja onde ela é feita. Os Bankhammer voltam para as duas casas que têm em Salzburgo, e é para lá que os habitués vão seguir.

A loja da cervejaria vende garrafas e caixas, e a cerveja não viaja mais do que o necessário. Num vale onde a mesma cerveja está em todo bar, a diferença é o frescor e a vista: um Helles a 600 metros, com o Watzmann à frente, é outra bebida comparado à mesma garrafa em casa. A loja também vende copos e os produtos habituais da casa, útil se o Helles conquistar você.