O mosteiro atrás do muro

Os monges de São Sisto vieram da França em 1831, compraram uma fazenda e um pedaço de charneca perto de Vleteren e começaram a produzir cerveja em 1838 para se sustentar. O mosteiro se tornou trapista em sentido pleno em 1871. A cervejaria é pequena de propósito: três cervejas, feitas para financiar a comunidade e as obras que ela apoia, não para abastecer um mercado.

Não há visitas guiadas, nem centro de visitantes dentro dos muros, nem loja de cervejaria no sentido comum. A igreja é aberta a visitantes, e o mosteiro mantém uma casa de hóspedes para retiros, mas as partes de trabalho são fechadas. As pessoas chegam esperando um destino turístico e encontram uma casa religiosa, que é exatamente o que é. A loja e o café são as únicas exceções.

A paisagem faz parte da visita: campos planos, valas, algumas fazendas e a região do lúpulo em torno de Poperinge começando dez quilômetros a oeste. Ypres fica a meia hora de carro, com seus cemitérios e a cerimônia do Last Post no Menin Gate todas as noites. Quase todos combinam as duas coisas, e a combinação é o ponto. Vale o desvio.

Três cervejas, um muro

A linha é Blond, 5,8%, 8, 8%, e 12, 10,2%. A 12 nasceu em 1940 como a cerveja mais forte do mosteiro e virou aquela pela qual as pessoas enfrentam fila; é um quadrupel escuro, com segunda fermentação na garrafa e levedura que continua trabalhando. A 8 é a mais fácil de beber das duas, e a Blond substituiu a cerveja de mesa dos monges em 1999.

As três são feitas com água do poço do próprio mosteiro, malte, lúpulo, açúcar e a levedura da casa, e nada mais. A cerveja não é filtrada nem pasteurizada. As receitas mudaram pouco; a cervejaria resistiu ao movimento óbvio de crescer, e é por isso que a oferta é menor que a procura e que as regras existem. Nada mais entra no tanque.

A reputação veio dos sites de avaliação, que colocaram a 12 no topo das listas por anos. Os monges sempre foram ambivalentes: produzem para viver, não para serem ranqueados. Não é pose. O mosteiro se recusa a aumentar a produção o suficiente para atender a demanda, e ainda vende a cerveja a preços que fazem o mercado paralelo parecer absurdo.

Comprar e beber

Desde 2019, a única forma de comprar caixas é a loja online do mosteiro, aberta a pessoas físicas registradas. Os pedidos são limitados, o calendário define janelas de compra e retirada, e as regras limitam quanto um veículo pode levar. Há entrega em casa dentro da Bélgica. Até 2019, o sistema era uma linha telefônica, que entrava em colapso com a demanda.

O In de Vrede, do outro lado da rua, é o café e centro de visitantes do mosteiro, e o único lugar autorizado a servir a cerveja no copo. Também dá para comprar garrafas e kits de presente ali, conforme a disponibilidade. O menu é simples: queijo do mosteiro, patê com cerveja trapista, rillettes, sanduíches e as três cervejas. É um café, não um bar de degustação.

Vá almoçar num dia de semana se quiser a sala calma. O café enche de ciclistas e peregrinos da cerveja nos fins de semana, e o serviço é rápido, não caloroso. A loja esgota; a cerveja do café não. Beba a 12 devagar, peça o queijo e deixe os monges em paz. Peça uma segunda 12 se não estiver dirigindo.