A cidade sob a fortaleza
O Meno faz aqui uma curva larga, e a cidade velha fica dentro dela, com a fortaleza de Marienberg na margem oposta. Tudo o que vale ver está a vinte minutos a pé: a Marktplatz com a Falkenhaus e a Marienkapelle, a catedral, a Neumünster e a Residenz, construída para os príncipes-bispos entre 1720 e 1744 segundo os planos de Balthasar Neumann e declarada patrimônio da UNESCO em 1981. A Residenz fica a leste do centro, a quinze minutos a pé pela zona de pedestres, e pede uma manhã.
A Alte Mainbrücke é o eixo da cidade. A construção começou em 1476, ela foi a única travessia do rio até 1886, e figuras de pedra de santos e bispos ladeiam os dois parapeitos. No verão vira bar: vende-se vinho em copos, bebido de pé, com a fortaleza acima e o rio abaixo. Ninguém apressa a saída. As figuras foram colocadas no século XVIII, à imitação da ponte Carlos, em Praga, e desde então olham o rio.
Abaixo da ponte, o caminho à beira do rio segue para o sul até o bairro de Burkard, onde fica o beer garden da Goldene Gans, sob os arcos. Acima, o caminho sobe até a Käppele, a igreja de peregrinação que parece pequena da Marktplatz e se revela uma escadaria longa e uma capela no morro. O último trecho é íngreme, e o terraço no alto olha para toda a curva do rio.
Cerveja sob o vinho
A Würzburger Hofbräu foi fundada em 1643 pelo príncipe-bispo Johann Philipp von Schönborn e se apresenta como a empresa mais antiga da cidade; a coroa dele ainda está no logo em forma de estrela. No século XIX exportava para os Estados Unidos, e em 1852 Würzburg ainda tinha doze cervejarias. Quando o preço da cerveja subiu, em 1866 e de novo em 1872, a cidade se revoltou. A cervejaria pertence ao grupo Kulmbacher, que a comprou em 2005, e ainda abastece a maioria das torneiras da cidade.
O que restou é pequeno e específico. A Hofbräu, hoje parte da Kulmbacher, produz Würzburger Hofbräu, Sternla e Keiler, e as serve no seu Keller em Zellerau, ao lado da cervejaria. A Goldene Gans, brewpub junto à ponte velha, serve a própria cerveja só no jardim. O SMaSH Brewing Project e a Maischerei Mayr & Müller trabalham na outra escala. Juntas, cobrem a faixa inteira, de uma cervejaria de grupo a dois homens com uma panela e uma sala alugada.
Vinte quilômetros a sudeste, Ochsenfurt mantém duas cervejarias familiares: a Kauzen-Bräu, fundada em 1809 no Kastenhof, e a Oechsner. As duas são cervejarias do interior do tipo que a Francônia ainda tem em quantidade, e ambas ficam a um curto trajeto de trem desde Würzburg. Nenhuma é museu; a cerveja sai para as aldeias ao redor. A cidade velha de Ochsenfurt é pequena, e a caminhada à beira do Meno é a melhor parte do passeio.
O Keller em Zellerau
O Hofbräukeller não fica na cidade velha. Está na Jägerstraße 17, em Zellerau, do outro lado do rio, ao lado da cervejaria, com estacionamento próprio e gratuito — um detalhe que importa, porque estacionar no centro é questão de sorte. Dentro cabem mais de quinhentas pessoas; o jardim acrescenta 250 lugares. A partir da Marktplatz, é uma caminhada pela ponte velha e ao longo do rio, vinte minutos em passo tranquilo.
O domingo é o melhor dia. O Keller abre às onze para o Frühschoppen, e no primeiro domingo do mês há música ao vivo a partir das dez, com café da manhã com Weißwurst. Nos outros dias abre ao meio-dia e a cozinha funciona durante a tarde. A sala é simples, o atendimento é rápido, e a cerveja chega gelada. O Keller é da própria cervejaria, a poucos passos da brassagem, então a cerveja percorre menos caminho do que no centro.
Desde 2026, o mestre-cervejeiro conduz visitas às terças, quintas e sextas. Você mesmo tira o chope de um barril antes de percorrer o setor de brassagem, o armazém e a linha de envase, e depois volta ao Keller para mais cinco cervejas numa tábua de degustação. Não é coisa para chegar sem avisar; reserve antes. É o único jeito de ver a brassagem por dentro; o Keller em si é aberto a todos.