O desenho da cidade

O centro histórico não é uma praça só, mas três bairros encaixados. A colina episcopal reúne a catedral, a Alte Hofhaltung e a Neue Residenz. Abaixo dela, a cidade-ilha fica entre os dois braços do Regnitz. A leste, a Gärtnerstadt era território de hortas comerciais, e ainda se plantam legumes dentro dos limites da cidade. A caminhada da estação até a catedral atravessa os três em vinte minutos.

O Altes Rathaus é a dobradiça entre a colina e a ilha. Foi mencionado pela primeira vez em 1387 e reconstruído entre 1461 e 1467, e fica dentro do rio, numa ilhota própria, ligado às duas margens por pontes. A história que se conta é que o bispo negou terreno aos cidadãos para a prefeitura. A fachada é pintada com arquitetura ilusória, repintada por Anton Greiner entre 1959 e 1962 depois que a pintura do século XVIII se apagou. Dentro funciona a coleção de porcelana Ludwig.

Klein-Venedig é a fileira de casas de pescadores na margem leste, entre a Markusbrücke e a Untere Brücke, a maioria do século XVII em diante, com hortas que descem até a água. A vista é melhor do outro lado, pela rua chamada Am Leinritt, onde as varandas e as fachadas de enxaimel se alinham sobre o rio. Volte pela Untere Brücke e você está de novo na ilha.

Nove cervejarias, um rio

A conta é nove: Ambräusianum, Fässla, Greifenklau, Kaiserdom, Keesmann, Klosterbräu, Mahrs, Schlenkerla e Spezial. É o número usado pela associação dos cervejeiros locais, e faz de Bamberg uma das cidades cervejeiras mais densas da Alemanha para o seu tamanho. A maioria fica no centro histórico, a dez minutos a pé uma da outra, e serve a própria cerveja numa sala colada ao tanque.

A Rauchbier é o motivo da visita, e a razão é técnica. Antes da secagem indireta chegar no século XIX, o malte secava sobre fogo aberto e toda cerveja tinha um fundo de fumaça. A Schlenkerla ainda seca o malte sobre lenha de faia e serve o resultado de um barril de carvalho. A Spezial, cem metros adiante, faz a versão que os moradores bebem: a mesma ideia com menos fumaça. A Mahr's não faz nenhuma e é conhecida pela aU, uma lager não filtrada, quase sem gás, servida na Schwemme.

O Museu Francônio da Cerveja, no Michaelsberg, explica essa densidade melhor que qualquer taverna. Ocupa as abóbadas da antiga cervejaria beneditina, onde se fabricava cerveja desde 1122, e percorre malte, lúpulo, tanoaria e as cervejarias de vilarejo que já foram centenas na Alta Francônia. Abre no começo de abril e fecha no inverno, então confira a data antes de subir a colina — a subida é curta, mas íngreme.

Um dia a pé

A Hauptbahnhof de Bamberg fica a menos de dois quilômetros do centro histórico: vinte minutos de caminhada plana pela Ludwigstraße, ou um trecho curto de ônibus até o ZOB. Atravesse a Obere Brücke e o Altes Rathaus está na sua frente, com a catedral acima e à esquerda. Nada no centro exige carro, e quase tudo é calçadão. A cidade é plana junto ao rio e só sobe na colina da catedral.

O Grüner Markt tem barracas de mercado de segunda a sábado, em volta de uma fonte que os moradores chamam de Gabelmann. É ali que se compra o Bamberger Hörnla, que são duas coisas diferentes: uma batata pequena e farinhenta, cultivada nas hortas da cidade, e um folhado achatado e amanteigado, entre o croissant e a massa podre. As padarias vendem o doce quente pela manhã, e ele é o café da manhã certo antes de um dia de fumaça.

Depois a catedral, o roseiral da Neue Residenz, e a descida por Klein-Venedig até o rio. À noite, escolha uma taverna e fique nela. Quase nenhuma aceita reserva: procure um lugar livre e peça para dividir a mesa, o que é normal e não incomoda ninguém. Dois canecos de Rauchbier deixam a volta até a estação mais longa do que foi de manhã.