Antes do nome

A produção de cerveja em České Budějovice remonta à fundação da cidade, em 1265, quando Přemysl Otakar II concedeu ao município direitos de fabricação junto com as terras. Em 1351, Carlos IV acrescentou a lei da milha, que mantinha cervejarias e tavernas estrangeiras fora de um raio de cerca de dez quilômetros; reis posteriores a endureceram. Por séculos a cerveja da cidade se chamou Budweiser Bier, cerveja de Budweis, e era só isso que o nome significava.

A cerveja foi para a América a partir de 1872, levada por emigrantes e importadores. Em 1876 a Anheuser-Busch começou a produzir sua própria Budweiser, e C. Conrad registrou a marca em 1878; Adolphus Busch depois testemunhou que o objetivo era uma cerveja com a mesma qualidade, cor e sabor da cerveja de Budweis. A cervejaria tcheca que se tornaria a Budvar foi fundada em 1895, quando burgueses de língua tcheca reuniram seus direitos numa sociedade anônima.

O primeiro lote, 200 hectolitros, foi feito em 7 de outubro de 1895 por Antonín Holeček. A empresa adotou o nome Budvar em 1930, de Budějovice e pivo, e virou empresa nacional em 1967. Continua estatal, o que é incomum no setor cervejeiro tcheco e uma das razões pelas quais a briga de marcas nunca foi resolvida por uma compra.

O processo

As duas empresas discutem desde 1907, quando combinaram que os americanos poderiam usar Budweiser na América do Norte e os boêmios na Europa. O acordo não se sustentou. Já houve mais de cem processos, em dezenas de jurisdições, com decisões que se contradizem porque a lei de marcas é nacional e a palavra significa coisas diferentes em lugares diferentes. Nenhuma decisão vale fora do país que a tomou.

O resultado é um mapa. Nos Estados Unidos e no Canadá, a cerveja da Budvar é vendida como Czechvar e a americana é Budweiser. Em quase toda a Europa, a Budvar vende como Budweiser Budvar e a americana como Bud. No resto, depende de qual registro chegou primeiro e de o tribunal ter aceitado que um topônimo pode ser marca.

A União Europeia protege Budějovické pivo como indicação geográfica, o que dá à Budvar uma alavanca que a lei de marcas sozinha não dá. A resposta da AB InBev foi comprar a outra cervejaria da cidade: a Samson, a antiga Bürgerbräu, adquirida em 2014, em parte para reforçar sua reivindicação sobre um nome que as duas empresas juram ser seu. Em České Budějovice as duas ficam a um quilômetro, uma estatal e a outra do adversário.

A visita e o copo

O centro de visitantes fica em Kněžské Dvory, dois quilômetros ao norte da praça, e a visita dura de 70 a 80 minutos, com no máximo trinta pessoas. Passa pela sala de brassagem, pelos tanques de maturação e por uma degustação, e sai em horários fixos: tcheco às 14h, alemão às 14h20, inglês às 14h40, com visitas extras pela manhã em julho e agosto. Reserve, principalmente no verão.

A cerveja tem 5,0% e 22 IBU, feita com cevada da Morávia, lúpulo Saaz em cone inteiro e o fermento da casa, e matura por cerca de noventa dias. A versão de tanque no fim da visita é não filtrada; a engarrafada é filtrada e pasteurizada para viajar. A Budvar Dark usa o mesmo fermento com malte torrado, e a Budvar 33 é o chope mais leve para o meio do dia.

A Budvarka, restaurante da cervejaria, é o lugar óbvio depois da visita e serve guláš, bolinhos e porco assado. No centro, a Masné krámy só serve Budvar desde 1954, num mercado de carne do século XVI com tanques de cobre atrás do balcão. Entre as duas salas, dá para comer e beber a tarde inteira sem sair da órbita da cervejaria.