Uma praça com uma cidade em volta
Přemysl Otakar II fundou a cidade em 1265 sobre uma malha ortogonal, e a malha continua de pé. A praça tem cerca de 133 metros de lado, a segunda maior praça quadrada do país, cercada por arcadas e 48 casas. No meio fica a Fonte de Sansão, construída nos anos 1720, com um tanque de quinze metros de diâmetro; a concha de pedra teve de passar pelo Portão de Viena, que foi alargado para isso, e chegou puxada por 62 cavalos.
A Torre Negra subiu entre 1550 e 1577, 72,25 metros de pedra renascentista ao lado da Catedral de São Nicolau, com 225 degraus até a galeria. Do alto se vê o plano inteiro: a praça, os telhados, os dois rios. No canto sudeste do calçamento está a Pedra Errante, uma pedra arredondada com uma cruz gravada, que marcaria o cepo onde dez jovens foram decapitados em 1470 ou 1478.
A cidade enriqueceu com sal e com a lei da milha, concedida em 1351 e reforçada em 1410: nenhuma cervejaria, malteria ou taverna estrangeira num raio de cerca de dez quilômetros. O privilégio manteve a produção nas mãos dos burgueses locais por séculos, e explica por que a cerveja de Budějovice tinha nome antes de ter concorrência de verdade. O sal vinha do Salzkammergut, e a partir de 1825 uma ferrovia puxada por cavalos foi construída até Linz para trazê-lo mais rápido.
Duas cervejarias, uma palavra
A Budvar foi fundada em 1895 como Cervejaria Tcheca por Ações, quando os burgueses de língua tcheca reuniram seus direitos de fabricação e construíram uma fábrica moderna em Kněžské Dvory. O primeiro lote, 200 hectolitros, foi feito em 7 de outubro de 1895 por Antonín Holeček. O nome Budvar veio em 1930, contração de Budějovice e pivo, cerveja. A empresa é estatal desde 1967 e continua nas mãos do Estado.
Do outro lado da cidade, a Samson descende da cervejaria dos burgueses germanófonos de 1795, que se mudou para o endereço atual, no subúrbio de Linz, em 1847, e produzia Budweiser Bier para exportação. No comunismo, criou a Pito, uma cerveja para motoristas, cujo nome vem de pivo e auto. Em 2014 foi comprada pela AB InBev, a empresa com quem a Budvar litiga desde 1907, o tipo de detalhe que uma cidade deste tamanho aprecia.
A disputa já passou de cem processos. A AB InBev detém o nome Budweiser na América do Norte, onde a Budvar vende como Czechvar; a Budvar o detém em quase toda a Europa, onde a cerveja americana é vendida como Bud. Os dois lados citam os mesmos contratos de 1911 e 1939. A União Europeia protege a Budějovické pivo como indicação geográfica, e é nesse terreno que se apoia a maior parte da briga.
O que fazer em um dia
O passeio da Budvar dura de 70 a 80 minutos, recebe até trinta pessoas e passa pela sala de brassagem, pelos tanques de maturação e por uma degustação. As visitas saem em horários fixos, com inglês no começo da tarde, então reserve no verão. O centro de visitantes fica em Kněžské Dvory, dois quilômetros ao norte da praça, e o caminho até lá cruza o Malše e um trecho de subúrbio tcheco comum que vale por si.
A Masné krámy, o antigo mercado de carne na Krajinská, é restaurante desde 1954 e nunca serviu outra cerveja além da Budvar. Os alicerces são do século XVI, o salão tem planta basilical e o chope sai de tanques de cobre atrás do balcão. É o lugar certo para um almoço demorado de svíčková com bolinhos, e a sala é barulhenta como são barulhentas as cervejarias.
Fora do centro, Hluboká nad Vltavou fica dez quilômetros ao norte: um castelo reconstruído no século XIX para parecer inglês, com parque e vista sobre o rio. Český Krumlov está vinte quilômetros ao sul e pede meio dia só para ele. Os dois ficam no Vltava, que é o desenho da região: o rio corre de um ao outro, e a cerveja sempre seguiu a água.