O centro, a pé

O Marienplatz é o centro de gravidade: o Neues Rathaus de um lado, o Viktualienmarkt atrás, o U3 e o U6 embaixo, todas as linhas de S-Bahn passando por ali. O mercado tem um biergarten pequeno sob o mastro de maio, com uma torneira que troca de cervejaria a cada poucos meses. Dali, a geografia da cerveja está a dez minutos a pé em qualquer direção. A rua Tal segue para o leste até o Isartor, com a Schneider Bräuhaus no número 7; dois minutos ao norte ficam o Platzl e a Hofbräuhaus; a oeste, pela Neuhauser Straße, está a Augustiner Stammhaus.

O anel viário é a fronteira honesta da cidade caminhável. Dentro dele, dá para ir do Isar ao Hauptbahnhof em meia hora, passando pelo mercado, pela Tal e por três bares de cervejaria. Fora dele, a cerveja se espalha pelos bairros: a Maxvorstadt tem o Augustiner-Keller e a Bräustuben ao lado da fábrica, o Englischer Garten tem o Chinesischer Turm com 7 mil lugares sob as castanheiras, e Giesing e Perlach têm as cervejarias pequenas.

O U-Bahn faz o resto. O U3 e o U6 atravessam o Marienplatz de norte a sul, o U1 e o U2 passam pelo Sendlinger Tor e pelo Hauptbahnhof, o U4 e o U5 pelo Odeonsplatz e por Lehel. A linha tronco do S-Bahn liga Pasing, Hauptbahnhof, Karlsplatz, Marienplatz e Ostbahnhof, o que cobre quase tudo de que um visitante precisa. Um bilhete do MVV vale para U-Bahn, S-Bahn, bonde e ônibus, e as máquinas nas plataformas aceitam cartão.

Seis cervejarias, e o resto

O mapa cervejeiro de Munique ainda é dominado por seis nomes: Augustiner, Hacker-Pschorr, Hofbräu, Löwenbräu, Paulaner e Spaten. Só essas seis podem servir na Oktoberfest, uma regra mais antiga que qualquer um de seus donos atuais. A Augustiner é a última que ainda pertence a donos da cidade, a Hofbräuhaus é do Estado Livre da Baviera, e as outras quatro estão dentro de grupos internacionais.

A concentração é recente. Spaten e Löwenbräu pertencem à AB InBev, Paulaner e Hacker-Pschorr ao grupo Paulaner. O que sobrou é uma faixa estreita: Helles, Dunkel, trigo, Pils, e as cervejas fortes da Quaresma e da primavera. Münchner Bier é uma indicação geográfica protegida, o que soa mais grandioso do que é. Significa que a cerveja foi feita aqui, com água de Munique, e não numa fábrica fora da cidade.

As cervejarias pequenas vieram depois, quase todas após 2010. A Giesinger começou numa garagem e hoje tem um taproom cheio de vizinhos. A Forschungsbrauerei, em Perlach, produz cerveja e deixa o nome fazer a ciência. Hopfenhäcker, ORCA e Tilmans fazem cerveja lupulada para quem já cansou da Helles. Quase todas ficam a uma viagem de S-Bahn do centro e abrem à tarde; valem o desvio, mas não são o motivo pelo qual a cidade bebe.

Como funcionam os biergartens

Os biergartens nasceram como adegas de cervejaria com castanheiras plantadas por cima para dar sombra. As árvores mantinham o cascalho fresco, o que mantinha a cerveja fresca. Quando um decreto de 1812 proibiu as adegas de servir comida, os clientes começaram a levar a sua, e o hábito ficou. A regulamentação bávara dos biergartens de 1999 ainda protege isso: na área de autosserviço pode-se comer comida fria trazida de casa, mas a bebida tem de ser da casa.

O mobiliário diz onde você está. Mesas de madeira sem toalha significam autosserviço e Brotzeit própria; mesas postas com garçom significam área com serviço. Sente-se onde houver espaço, pergunte 'ist hier frei?' e conte com dividir a mesa. Uma Maß é um litro, e os copos voltam para a bandeja ao lado do balcão quando se sai. Paga-se no fim, e arredondar para cima é a gorjeta.

A escala é difícil de imaginar. O Augustiner-Keller tem 5 mil lugares, o Chinesischer Turm 7 mil, o Hirschgarten 8 mil. Enchem depois do trabalho e nos fins de semana, e esvaziam quando o tempo vira. No inverno os jardins fecham e o Wirtshaus assume: pé-direito mais baixo, a mesma cerveja e um menu que vai de porco assado a bolinhos. A diferença entre os dois ambientes é sobretudo o teto e o barulho.