Do convento à Landsberger Straße
Os eremitas agostinianos se instalaram fora das muralhas em 1294 e passaram para dentro por volta de 1320. A cervejaria deles aparece nomeada em 1328, ano em que um registro situa a irmandade dos padeiros na sala de brassagem do mosteiro depois do incêndio de 1327, e é essa a data que a empresa usa. O primeiro registro inequívoco de fabricação de cerveja no local é de 1411. De todo modo, é a cervejaria mais antiga de Munique ainda em atividade.
A secularização dissolveu o mosteiro em 1803. O direito de fabricar cerveja passou para dois homens, Gröber e Lankes, que receberam uma casa de brassagem na Neuhauser Straße em 1817 depois de uma longa disputa sobre o arrendamento do mosteiro. Em março de 1829 as autoridades entregaram o direito a Anton e Therese Wagner, uma família de cervejeiros de Attaching, perto de Freising. Anton morreu nos anos 1840; Therese assumiu, comprou uma adega de guarda na Landsberger Straße em 1857 e tocou o negócio até o filho Josef herdar tudo em 1858.
Josef transferiu toda a cervejaria para a Landsberger Straße em 1883 e brassou ali pela primeira vez em 1884; suas iniciais, JW, estão no rótulo desde então. A fábrica foi 60% destruída por bombardeios em 1945 e reconstruída. Edith Haberland-Wagner, a última da família a carregar o sobrenome, morreu em 1996 e deixou sua participação majoritária para uma fundação beneficente, com a condição de que a cervejaria fique na Landsberger Straße e mantenha a malteação própria no chão.
A cerveja
Nove cervejas, quase todas lager. A Lagerbier Hell, 5,2%, é a cerveja de volume, rótulo verde, conhecida em Munique simplesmente como Gustl. A Edelstoff, 5,6%, chegou em 1925 como a versão export mais forte e é a que se deve procurar no barril de madeira: mais redonda, um pouco mais doce, e o motivo pelo qual se pede a segunda antes de terminar a primeira.
O resto da linha: Dunkel e Pils a 5,6%, trigo a 5,4% desde 1986, um Heller Bock a 7,5% em maio e junho, o Maximator a 7,5% durante a Quaresma, e a Oktoberfestbier a 6,4%, em geral a mais forte da Wiesn. A água vem de dois poços sob a cidade, a 190 e 230 metros de profundidade. O malte sai de dezesseis eiras de malteação nos porões, cada uma com quarenta metros de comprimento e dez de largura.
A teimosia é o ponto. A Augustiner quase não faz propaganda, manteve a garrafa euro quando as outras mudaram e ainda entrega cerveja em barris de madeira. Na Oktoberfest é a única cervejaria que tira cerveja exclusivamente do barril de madeira, como faz desde 1987. A cerveja tem gosto de malte e não de lúpulo, termina seca, e é o motivo pelo qual o muniquense discute uma cervejaria por uma hora e depois pede a mesma coisa.
Onde beber
A Bräustuben, na Landsberger Straße 19, é o bar da fábrica, um salão do tamanho de um refeitório ao lado da cervejaria. Mesas compridas, garçonetes carregando oito Maß de uma vez, Leberkäse com ovo frito, e uma mistura de operários da fábrica e famílias no almoço. É a menos teatral das casas Augustiner e a mais próxima da fonte, o que não é a mesma coisa que a mais bonita. O salão é barulhento, o menu é curto, e isso é intencional.
O Augustiner-Keller, na Arnulfstraße 52, é o outro polo. Aparece no mapa da cidade em 1812 como depósito de cerveja, foi comprado por Josef Wagner em 1862, recebeu o nome atual em 1880 e foi transformado num jardim com 5 mil lugares em 1896. Castanheiras, cascalho, bancos compridos, e uma adega que ainda sobe cerveja em barris de madeira. No verão o jardim é o programa inteiro, e as garçonetes percorrem as fileiras como quem cumpre turno.
A Stammhaus, na Neuhauser Straße 27, é o salão do centro, reconstruído como palácio da cerveja por Emanuel von Seidl em 1896 e ainda o endereço mais movimentado entre a Marienplatz e a Hauptbahnhof. Cerca de 190 bares de Munique servem Augustiner, e a cervejaria administra mais de sessenta deles. É assim que uma cervejaria sem propaganda continua visível: ela é dona dos lugares que as pessoas já usam.